Las Vegas

Pensei se deveria investir o dinheiro na viagem ou ficar com ele e abdicar dos 1.500$ do torneio. Decidi que devia ir, e aqui é que foi o ponto de “no turning back”. Fui (joguei o evento 52) e foi muiiiiito bom. Na viagem fui no avião com o Jomané, Caco e Pedro Barbosa. Já em Vegas conheci o Roberto Machado (costumava ler o blogue dele “Oversleep”), Diogo Borges, João Barbosa, Hugo Felix, Diogo Norte, Paulo Kinas, Fernando Festas que vivia o Live the Dream e o Tomé Moreira que foi o elemento com o qual mais me identifiquei e simpatizei.

Como estudei ante antes de ir, o meu jogo melhorou bastante apesar de no torneio ter sido um dos peixinhos da mesa pois eu não tinha qualquer experiência ao vivo (ainda hoje não tenho). Ao fim de duas horas, o meu Open Ended Straight Flush Draw no flop não bateu e fiquei super short. Quatro mãos à frente o BTN faz raise e eu vou all-in na SB com QQ. O problema é que a BB acorda com AA e acaba o torneio para mim. Nos dias seguintes ainda ganhei algum nas mesas de cash, mas não muito, porque o típico stake 1/2$ e 3/5$ era altíssimo para a minha banca (sim, já na altura fazia gestão de banca, e foi um dos principais factores para ter continuado sempre ganhador neste jogo). Andei por casinos mais manhosos para jogar 0,50/1$ e mesmo assim houve ali scared money envolvido. Tenho ideia de ter sido um Nit daqueles !!! 😉

Quando volto, continuo a jogar e o ano de 2008 continua a correr bem e acaba por ser o melhor ano de sempre para mim. 2009 também foi positivo e 2010 foi even. Apesar de sentir que o meu jogo melhorara cada vez mais, o que é facto é que os jogos estão muito mais difíceis mesmo nos níveis mais baixos. As escolas ajudaram a que o nível médio tivesse crescido muito.

Bem, voltando à parte familiar (à qual darei importância no meu blog) devem perceber agora o erro da minha mulher quando disse: Seja nisso ou em outra coisa, para mim é indiferente. Não era indiferente pois ela (e eu também) achava que o jogo a dinheiro com cartas e casinos à mistura era o caminho triste de alguns fracos sem cabeça, que lá perdiam as suas poupanças e/ou fortunas. Mas eu mudei a minha ideia sobre o assunto. Quanto mais estudo, mais acho que a componente competência é decisiva e que a componente sorte só ajuda a manter o jogo vivo pelos que jogam por divertimento e pela adrenalina da próxima carta completar a sua sequência interna, nem que para isso tenham de meter o dinheiro todo na mesa. Infelizmente a minha mulher segue o caminho inverso. Quanto mais lhe explico o jogo, mais ela acha que a componente sorte é que prevalece e fica com pior impressão sobre o Poker. Ela é uma mulher com muitas qualidades, mas os números e a capacidade de abstracção são duas coisas que não lhe assistem. É uma mulher muito prática (e eu também, mas eu consigo abstrair e teorizar, e ela não) pelo que se o Ás pode sair e derrotar-nos, ainda que só hajam mais três do que o do rival no baralho, estes podem sair, e é aí que está a sorte, diz ela. Eu lutei contra isto, mas sempre sem sucesso, e acabei por desistir. Ela não tem que saber jogar, nem perceber muito do assunto, mas eu gostaria de ter a compreensão e apoio dela. Compreensão vou tendo (com algumas caras feias pelo meio) mas apoio é que nunca, jamais, em tempo algum. 🙂 E, mesmo conhecendo-me bem, sempre sentiu o medo de eu me perder. Ainda que eu já lhe tenha dito centenas de vezes que:

“Isto se não for para ganhar, a mim não me interessa”.

E posso dizer que sou ganhador. Faço parte dos tais 15% ou 10% que ganham. Não é muito, é verdade, mas ganho e posso até dizer que de uma forma consistente. Os pontos fundamentais para este sucesso são:

– Gestão de Banca !

– Autodisciplina e Auto-controlo. Muito dificil de atingir, mas possível. Só recomendo a quem seja mais racional do que emocional.

– Gestão de Banca ! (sim, outra vez)

– Muito estudo.

– Debate com outros jogadores. Talvez a este aspecto não tenha dado tanto valor como devia até entrar no projecto EducaPoker.pt