Tamanhos de Open Raise preflop

Hoje escrevo sobre um tema que surgiu num grupo do Facebook (Poker Portugal) sobre quais os tamanhos para abrir um pote preflop. Quanto e porquê?

O Poker é constituído por muitos movimentos repetidos. Entre eles está o movimento várias vezes utilizado de abrir um pote. Muitos jogadores usam tamanhos aleatórios de Open Raise (OR) e outros ainda recorrem aos botões de atalho das salas sem qualquer justificação para tal senão a comodidade associada a estes.

À primeira vista, o ideal seria apostarmos grande (4bbs) quando tivéssemos boas mãos e apostar pequeno (2bbs ou 2,5) quando tivéssemos mãos mais débeis, mas isto não é possível, pois temos de disfarçar a força da nossa mão ou seremos facilmente exploráveis.

Por isso teremos de pensar um pouco mais sobre os verdadeiros motivos para abrir um tamanho e não outro.

Na minha opinião existem dois factores principais. O tipo de rivais que defrontamos e o tamanho da nossa stack.

Tipo de Rivais

Para avaliarmos um rival, quando queremos abrir um pote, temos de avaliar, principalmente, o seu Fold BB to Steal (FBBST), 3bet, e Fold a Continuation bet (FCbet). E são nestes dados que nos iremos concentrar para determinar quem defrontamos.

Num mundo utópico, o ideal seria apostarmos o mínimo (2bbs), pois o nosso risco seria o mais baixo possível para a recompensa que poderíamos obter com o sucesso deste movimento. No entanto, esta situação só se consegue quando estamos perante adversários que têm um jogo desequilibrado. Rivais com Alto FBBST, e restante valor de 3bet (ou seja, Cold Call (CC) perto do Zero). São os ideais para apostarmos o mínimo.

Por outro lado, com alto valor de CC e baixo 3bet (nunca esquecendo os valores de FCbet), será melhor apostar maior (3bbs ou mais). Temos de começar logo preflop a castigar este tipo de rivais (mais conhecidos como peixinhos, ou fishes).

No meio estão as 2,5bbs. Como um mini-raise (2bbs) dá boas odds à BB para pagar quase com any2 e a meia bb extra garante muito mais FE do que um raise mínimo, este tamanho (2,5bbs) é nos dias de hoje o mais indicado para abrir um pote quando estamos perante adversários competentes. Mas contra rivais desiquilibrados, nits e fishes, será melhor optarmos por apostar menor e maior respectivamente.

Tamanho da nossa Stack

Quando temos uma stack pequena, se fizermos um OR grande (3,5bb ou 4bbs), facilmente ficaremos comprometidos com o pote pelo que teremos de ter este factor em consideração quando abrirmos um pote. Por outro lado, se um rival fizer 3bet, saberemos que não teremos praticamente qualquer fold equity. Neste caso a decisão torna-se fácil. Ou fazemos 4bet ou abandonamos. 

Se a stack é média, esta facilidade de decisão já não se coloca. Assim, será melhor apostar 2,5bbs ou 3bbs). Já se esta for grande, então 4bbs poderá ser a melhor opção para jogarmos postflop com um SPR mais favorável e facilitar as nossas decisões futuras.

Vejamos um exemplo:

Se estivermos a jogar com uma stack pequena (por exemplo 35bbs), se abrirmos para 4bbs, quando os rivais fizerem uma 3bet, esta será sempre entre 10 e 12 bbs. Este valor representa já mais de 1/4 da nossa stack pelo que os rivais sabem (quando fazem este movimento) que estão a comprometer-se com o pote e nós ficamos com a facilidade de decidir se abandonamos ou se vamos All-in.

Mas com uma stack média (50bbs), se abrimos para 4bbs, e o rival faz o mesmo valor de 3bet (10 a 12bbs), aqui já não sabemos tão claramente se temos ou não fold equity. Abrindo a 3bbs continuaremos a extrair valor da nossa mão e poderemos poupar um pouco quando nos fizerem 3bet e tivermos de abandonar.

Na esperança de ter sido claro, penso que estas ideias poderão ser importantes para que vocês mesmos possam pensar sobre os verdadeiros motivos para abrir um pote preflop e qual o tamanho mais adequado em cada situação.

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Usar a BD do Holdem Manager em + de 1 PC

Normalmente jogo no escritório e em casa. Tenho um portátil em casa e no escritório jogo num computador “fixo” e andava a pensar numa solução que não implicasse ter a base de dados online pois não é propriamente uma operação fácil de realizar.

Até que um dia fez-se luz. Porque não usar o Dropbox ?

Já o utilizava para o trabalho na EducaPoker e poderia fazer o mesmo com os
Arquivos de mãos que o Holdem Manager cria.

Como é que fiz isto ?

Primeiro fiz o download do software Dropbox. Depois de o instalar, este software cria uma directoria no nosso PC dentro da pasta “my documents” ou “meus documentos”. Esta directoria estará sempre actualizada entre os dois computadores (e podem até ser mais) desde que estes estejam ligados à internet e tenham o software instalado.

Deixo aqui a forma de como fazer isto (tomei como exemplo da sala PokerStars, mas dá para fazer com qualquer uma):

Na tal pasta que o Dropbox sincroniza, criei duas pastas. Uma chamada HAND HISTORIES Desktop e outra HAND HISTORIES Laptop

Dropbox

No Holdem Manager do meu portátil e do fixo modifiquei os “Archive folder” na secção auto-import settings do que estava:

NO PORTÁTIL (em casa)

DE:

Antes

PARA:

Portátil 1

E acrescentei:

Portatil 2

De notar que coloquei o visto em “Disable Archive” só para este caso para não existirem arquivos duplicados.

NO ESCRITÓRIO (o tal fixo ou desktop) mudei do que estava:

DE:

Antes

PARA:

Fixo 1

E acrescentei:

Fixo 2

De notar que neste caso também coloquei o visto em “Disable Archive” para não existirem novamente arquivos duplicados.

O Holdem Manager espera (por defeito) 15 minutos antes de mover as Hand Histories para a pasta de arquivo pelo que se acabarmos de jogar e desligarmos logo o PC, é provável que as últimas dezenas de mãos não fiquem no arquivo nem sejam subidas pelo Dropbox pelo que só da próxima vez que usarmos o Holdem Manager nesse computador é que ficará tudo em dia. Para minimizar isto, reduzi o tempo para 1 minuto (ver imagem em baixo), mas pode acontecer na mesma que as ultimas duas ou três mãos de uma sessão não fiquem logo armazenadas e só da próxima vez é que serão colocadas no arquivo. Nada de grave pois é uma questão de tempo (nada se perde)…

Miscellaneous

Resumindo, é uma boa opção, até porque mesmo que um computador avarie, as nossas HH irão ficar sempre guardadas online. Nem precisamos ficar preocupados se o disco duro avaria ou outros problemas que possam acontecer como (por exemplo) danos na base de dados.

Queres ser um jogador pago para jogar, segue este link e vê as opções para seres um Prop Player

Check/Call River – Pagar para perder…

Olá,

Hoje venho falar-vos de um sentimento que tive na minha sessão mais recente. Após fazer num curto espaço de tempo, seis vezes check/call River em situações que justificavam esta acção, perdi cinco e ganhei uma e fiquei a pensar se este tipo de movimento estaria a ser o mais correcto. Para acabar com este sentimento, “virei-me” para o meu amigo que me ajuda a racionalizar quando tenho este tipo de sentimentos. Ele chama-se Holdem Manager. É sincero (por vezes rude), claro, mas sempre honesto. Decidi ver as últimas 70k mãos e coloquei o filtro “River Check-Call” = True. E verifiquei os resultados. Ele diz-me que em todas as situações que fiz este movimento no River, ganhei apenas em 39.2% das vezes (W$SD). Ou seja, só ganho duas em cada cinco vezes. Será este valor baixo? Estarei a perder dinheiro?

Pensando mais um pouco e conversando com os meus colegas, concluímos rapidamente que: se o rival aposta 1/2 pote no river, só precisaremos ganhar 25% das vezes para que o nosso call seja break-even. Se o rival apostar o valor do pote, só precisaremos ganhar uma em cada três vezes para obter o mesmo resultado. Ou seja, precisamos, no mínimo, vencer 33% das vezes. Então, afinal 39.2% não é mau.

Vendo isto por outro prisma, até poderá ser demasiado alto, e algumas situações em que provavelmente não deveria fazer este movimento e substituí-lo por uma thin value bet. Tenho de estudar este ponto e rever as mãos para realizar se assim é.

Resumindo, apesar de, por vezes acharmos que estamos a jogar mal, pois o nosso cérebro começa a dizer para não fazermos isto ou aquilo pois estamos a “sofrer”/perder com isso, nem sempre é assim e só a analise fria dos números nos permite tirar as melhores conclusões.

Concentração e atenção.

Volto a um tema que falei nos primeiros posts em que disse:

Lembro-me perfeitamente de perguntar à minha mulher (já na altura):

– Que dizes? Achas que posso dedicar algum tempo a isto?

Ao qual ela me respondeu:

– Tu estás muito tempo no computador. Seja nisso ou em outra coisa, para mim é indiferente (e aqui é que ela cometeu um erro fatal!). Nos próximos posts perceberão porquê…

Seria indiferente?

Pois aqui é que está a diferença, jogar Poker não é a mesma coisa que navegar na net, usar o Facebook, conversar no Skype ou Messenger, ver televisão…

Lembro-me de no passado assistir aos jogos do SLB enquanto jogava, mas gradualmente comecei a chegar ao final dos jogos de futebol e não me lembrava das jogadas que tinham acontecido. Nas últimas vezes que fiz isto já nem dos golos me lembrava. Inicialmente pensei que seria uma falha da minha parte, mas final eu estava era a melhorar na minha focalização no jogo (não de futebol, mas no de Poker). Acabei por deixar de fazer isto, bem como tudo o resto que fazia ao mesmo tempo.

O Poker exige muita concentração. Actualmente, quando estou a jogar, são várias as vezes em que falam para mim e não ouço uma palavra. Ou melhor, por vezes até ouço, mas não “entra” nada. Quando jogamos, o nosso foco tem de estar todo na análise constante dos adversários, da informação que temos de cada um, das stacks, dos valores apostados, da sequência flop, turn e river, na força da nossa mão. Não há lugar para mais nada. E isto deve acontecer mesmo quando não estamos envolvidos numa mão. Quando terminamos uma sessão deveremos estar mentalmente cansados, pois será um indicador de que aplicámos o máximo das nossas capacidades para tentar tomar sempre as melhores decisões.

Claro que quem está de fora (e não compreende tudo isto) pode nos ver como uns alucinados, mas temos de saber viver com isto e procurar formas de contrabalançar toda esta ausência de atenção para com quem nos rodeia e que também gosta de a ter. 😉

Reset ou Restart ?

Aproveitei as férias para fazer uma pausa no Poker. Não foi bem aproveitar. Não tinha alternativa. 🙂 Fui com a família passear para Paris e, por razões obvias, não houve condições para jogar concentrado pelo que o melhor foi mesmo não jogar. Joguei pela última vez no dia 23 de Dezembro e só ontem (dia 8 é que fiz uma nova sessão). Foram mesmo muitos dias quase sem pensar em Poker. Claro que enquanto contemplava a catedral de Notre Damme ainda me vieram alguns pensamentos sobre teoria de jogo que tinha conversado dias antes com o meu colega Álvaro Aspas. Foram breves momentos de devaneio, pois estava decidido a fazer mesmo uma pausa. Ainda respondi a duas mensagens privadas de edukitos e no dia 4, em face das obrigações na EducaPoker, dei uma aula de EP35 Secundário, mas o meu cérebro ainda não estava a debitar 100% Poker. Foram mais dias sem jogar do que sem pensar, mas deu para sentir o click do restart (nunca de reset) na minha mente. Normalmente, em férias, a actividade de Poker reduz-se radicalmente, mas vai-se sempre jogando uma sessãozinha aqui e outra ali. Neste caso não foi possível.

Outra curiosidade aconteceu quando passeava perto do Moulin Rouge e deparo com um quiosque com uma lateral cheia de revistas de uma tal “Poker 52” e saiu-me o seguinte:

JP – “Olha o Phil Ivey !!!”

Família – ” ? . ? ”

Calei-me e segui viagem sem mais explicações, pois seriam inglórias.

Agora mais a sério:

Uma paragem tem uma vertente muito boa. Precisamos espairecer, a nossa mente precisa de descansar e pensar noutras coisas. Apesar de ter usado, no título, termos ligados a computadores, a nossa mente é algo muito mais complexo do que a soma de um simples HDD e CPU. Precisa sair das rotinas dos mesmos raciocínios que limitam e reduzem a nossa criatividade.

A vertente negativa de uma paragem é que a destreza de raciocínio (pelo menos ao nível exigido neste jogo) pode degradar-se rapidamente. Após voltar ao trabalho, nos primeiros dias senti que estava desfasado em relação aos meus colegas. Já não conseguia acompanhar completamente o raciocínio que apresentavam quando discutiam mãos do fórum e como rapidamente analisavam os HUDs dos rivais para obter informações. Precisei de três dias para voltar a entrar no “andamento”.

Estes dias permitiram-me relembrar que este jogo exige muito de quem pretende leva-lo de forma séria. Diz-se que “Parar é morrer” e nesta área faz muito sentido. Jogar, estudar, analisar, conversar Poker é algo que tem de ser levado de forma metódica e que obriga a grande dedicação e empenho, pois não há facilidades. Fazê-lo de forma intermitente não chega (pelo menos para chegar lá em cima). A destreza mental tem uma componente inata, mas acredito que esta se possa treinar. E nesta área tão ou mais competitiva que as tradicionais há que ter sempre a máquina (leia-se mente) bem oleada.

Dose de Inspiração

Olá,

Hoje pretendo desejar que todos tenham sucesso em 2012. Para isso, devemos sempre pensar no que andamos a fazer. Onde podemos melhorar, aproveitando as nossas qualidades e tentando contrariar os nossos defeitos. Para vos motivar, nesta luta, deixo aqui um video muito bom. Já pratico algumas das ideias do Miguel Gonçalves, mas gostaria de as reforçar em 2012 e aproveitar outras para melhorar como pessoa.

Recomendo vivamente que reservem meia hora para assistirem a este video de uma só vez:


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Esse ânimo, subiu em flecha ? Espero que sim. 🙂

Chega de lamentações… Bom ano !

Las Vegas

Pensei se deveria investir o dinheiro na viagem ou ficar com ele e abdicar dos 1.500$ do torneio. Decidi que devia ir, e aqui é que foi o ponto de “no turning back”. Fui (joguei o evento 52) e foi muiiiiito bom. Na viagem fui no avião com o Jomané, Caco e Pedro Barbosa. Já em Vegas conheci o Roberto Machado (costumava ler o blogue dele “Oversleep”), Diogo Borges, João Barbosa, Hugo Felix, Diogo Norte, Paulo Kinas, Fernando Festas que vivia o Live the Dream e o Tomé Moreira que foi o elemento com o qual mais me identifiquei e simpatizei.

Como estudei ante antes de ir, o meu jogo melhorou bastante apesar de no torneio ter sido um dos peixinhos da mesa pois eu não tinha qualquer experiência ao vivo (ainda hoje não tenho). Ao fim de duas horas, o meu Open Ended Straight Flush Draw no flop não bateu e fiquei super short. Quatro mãos à frente o BTN faz raise e eu vou all-in na SB com QQ. O problema é que a BB acorda com AA e acaba o torneio para mim. Nos dias seguintes ainda ganhei algum nas mesas de cash, mas não muito, porque o típico stake 1/2$ e 3/5$ era altíssimo para a minha banca (sim, já na altura fazia gestão de banca, e foi um dos principais factores para ter continuado sempre ganhador neste jogo). Andei por casinos mais manhosos para jogar 0,50/1$ e mesmo assim houve ali scared money envolvido. Tenho ideia de ter sido um Nit daqueles !!! 😉

Quando volto, continuo a jogar e o ano de 2008 continua a correr bem e acaba por ser o melhor ano de sempre para mim. 2009 também foi positivo e 2010 foi even. Apesar de sentir que o meu jogo melhorara cada vez mais, o que é facto é que os jogos estão muito mais difíceis mesmo nos níveis mais baixos. As escolas ajudaram a que o nível médio tivesse crescido muito.

Bem, voltando à parte familiar (à qual darei importância no meu blog) devem perceber agora o erro da minha mulher quando disse: Seja nisso ou em outra coisa, para mim é indiferente. Não era indiferente pois ela (e eu também) achava que o jogo a dinheiro com cartas e casinos à mistura era o caminho triste de alguns fracos sem cabeça, que lá perdiam as suas poupanças e/ou fortunas. Mas eu mudei a minha ideia sobre o assunto. Quanto mais estudo, mais acho que a componente competência é decisiva e que a componente sorte só ajuda a manter o jogo vivo pelos que jogam por divertimento e pela adrenalina da próxima carta completar a sua sequência interna, nem que para isso tenham de meter o dinheiro todo na mesa. Infelizmente a minha mulher segue o caminho inverso. Quanto mais lhe explico o jogo, mais ela acha que a componente sorte é que prevalece e fica com pior impressão sobre o Poker. Ela é uma mulher com muitas qualidades, mas os números e a capacidade de abstracção são duas coisas que não lhe assistem. É uma mulher muito prática (e eu também, mas eu consigo abstrair e teorizar, e ela não) pelo que se o Ás pode sair e derrotar-nos, ainda que só hajam mais três do que o do rival no baralho, estes podem sair, e é aí que está a sorte, diz ela. Eu lutei contra isto, mas sempre sem sucesso, e acabei por desistir. Ela não tem que saber jogar, nem perceber muito do assunto, mas eu gostaria de ter a compreensão e apoio dela. Compreensão vou tendo (com algumas caras feias pelo meio) mas apoio é que nunca, jamais, em tempo algum. 🙂 E, mesmo conhecendo-me bem, sempre sentiu o medo de eu me perder. Ainda que eu já lhe tenha dito centenas de vezes que:

“Isto se não for para ganhar, a mim não me interessa”.

E posso dizer que sou ganhador. Faço parte dos tais 15% ou 10% que ganham. Não é muito, é verdade, mas ganho e posso até dizer que de uma forma consistente. Os pontos fundamentais para este sucesso são:

– Gestão de Banca !

– Autodisciplina e Auto-controlo. Muito dificil de atingir, mas possível. Só recomendo a quem seja mais racional do que emocional.

– Gestão de Banca ! (sim, outra vez)

– Muito estudo.

– Debate com outros jogadores. Talvez a este aspecto não tenha dado tanto valor como devia até entrar no projecto EducaPoker.pt