Concentração e atenção.

Volto a um tema que falei nos primeiros posts em que disse:

Lembro-me perfeitamente de perguntar à minha mulher (já na altura):

– Que dizes? Achas que posso dedicar algum tempo a isto?

Ao qual ela me respondeu:

– Tu estás muito tempo no computador. Seja nisso ou em outra coisa, para mim é indiferente (e aqui é que ela cometeu um erro fatal!). Nos próximos posts perceberão porquê…

Seria indiferente?

Pois aqui é que está a diferença, jogar Poker não é a mesma coisa que navegar na net, usar o Facebook, conversar no Skype ou Messenger, ver televisão…

Lembro-me de no passado assistir aos jogos do SLB enquanto jogava, mas gradualmente comecei a chegar ao final dos jogos de futebol e não me lembrava das jogadas que tinham acontecido. Nas últimas vezes que fiz isto já nem dos golos me lembrava. Inicialmente pensei que seria uma falha da minha parte, mas final eu estava era a melhorar na minha focalização no jogo (não de futebol, mas no de Poker). Acabei por deixar de fazer isto, bem como tudo o resto que fazia ao mesmo tempo.

O Poker exige muita concentração. Actualmente, quando estou a jogar, são várias as vezes em que falam para mim e não ouço uma palavra. Ou melhor, por vezes até ouço, mas não “entra” nada. Quando jogamos, o nosso foco tem de estar todo na análise constante dos adversários, da informação que temos de cada um, das stacks, dos valores apostados, da sequência flop, turn e river, na força da nossa mão. Não há lugar para mais nada. E isto deve acontecer mesmo quando não estamos envolvidos numa mão. Quando terminamos uma sessão deveremos estar mentalmente cansados, pois será um indicador de que aplicámos o máximo das nossas capacidades para tentar tomar sempre as melhores decisões.

Claro que quem está de fora (e não compreende tudo isto) pode nos ver como uns alucinados, mas temos de saber viver com isto e procurar formas de contrabalançar toda esta ausência de atenção para com quem nos rodeia e que também gosta de a ter. 😉

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Reset ou Restart ?

Aproveitei as férias para fazer uma pausa no Poker. Não foi bem aproveitar. Não tinha alternativa. 🙂 Fui com a família passear para Paris e, por razões obvias, não houve condições para jogar concentrado pelo que o melhor foi mesmo não jogar. Joguei pela última vez no dia 23 de Dezembro e só ontem (dia 8 é que fiz uma nova sessão). Foram mesmo muitos dias quase sem pensar em Poker. Claro que enquanto contemplava a catedral de Notre Damme ainda me vieram alguns pensamentos sobre teoria de jogo que tinha conversado dias antes com o meu colega Álvaro Aspas. Foram breves momentos de devaneio, pois estava decidido a fazer mesmo uma pausa. Ainda respondi a duas mensagens privadas de edukitos e no dia 4, em face das obrigações na EducaPoker, dei uma aula de EP35 Secundário, mas o meu cérebro ainda não estava a debitar 100% Poker. Foram mais dias sem jogar do que sem pensar, mas deu para sentir o click do restart (nunca de reset) na minha mente. Normalmente, em férias, a actividade de Poker reduz-se radicalmente, mas vai-se sempre jogando uma sessãozinha aqui e outra ali. Neste caso não foi possível.

Outra curiosidade aconteceu quando passeava perto do Moulin Rouge e deparo com um quiosque com uma lateral cheia de revistas de uma tal “Poker 52” e saiu-me o seguinte:

JP – “Olha o Phil Ivey !!!”

Família – ” ? . ? ”

Calei-me e segui viagem sem mais explicações, pois seriam inglórias.

Agora mais a sério:

Uma paragem tem uma vertente muito boa. Precisamos espairecer, a nossa mente precisa de descansar e pensar noutras coisas. Apesar de ter usado, no título, termos ligados a computadores, a nossa mente é algo muito mais complexo do que a soma de um simples HDD e CPU. Precisa sair das rotinas dos mesmos raciocínios que limitam e reduzem a nossa criatividade.

A vertente negativa de uma paragem é que a destreza de raciocínio (pelo menos ao nível exigido neste jogo) pode degradar-se rapidamente. Após voltar ao trabalho, nos primeiros dias senti que estava desfasado em relação aos meus colegas. Já não conseguia acompanhar completamente o raciocínio que apresentavam quando discutiam mãos do fórum e como rapidamente analisavam os HUDs dos rivais para obter informações. Precisei de três dias para voltar a entrar no “andamento”.

Estes dias permitiram-me relembrar que este jogo exige muito de quem pretende leva-lo de forma séria. Diz-se que “Parar é morrer” e nesta área faz muito sentido. Jogar, estudar, analisar, conversar Poker é algo que tem de ser levado de forma metódica e que obriga a grande dedicação e empenho, pois não há facilidades. Fazê-lo de forma intermitente não chega (pelo menos para chegar lá em cima). A destreza mental tem uma componente inata, mas acredito que esta se possa treinar. E nesta área tão ou mais competitiva que as tradicionais há que ter sempre a máquina (leia-se mente) bem oleada.